Veneza

33 Canais!

Para o meu aniversario escolhi a cidade de Casanova – famoso pela sua vida Bohemia – que serviu de inspiração a muitos livros e filmes.
Veneza – é sem duvida – uma cidade misteriosa e envolvente cheia de história e carisma. Os labirintos aquáticos cheios de gondolas e casais enamorados remetem-nos para os contos de fadas, apelando constantemente ao nosso lado mais lamechas e sonhador.
Foi com este espírito que aterrei no aeroporto Marco Polo situado a 12 km da capital, que em conjunto com as 15 principais ilhas formam a lagoa de Veneza.
O acesso a cidade é feito pelo barco ou Aerobus, cujo bilhete varia entre os 8€ –  bilhete só de ida ou os 15€ – bilhete de ida e volta. Os 4 km que ligam Mestre

IMG_6331

à Piazzale Roma através da Ponte Della Libertá – construída em 1933 – permitiram o acesso rodoviário à ilha, inexistente até então.
É nesta praça que se consentram todos os transportes e que encontramos o único transporte – o barco – que nos levará pelas 118 ilhas através dos 177 canais que formam a cidade de Veneza.

   Além da típica gondola que por 30 min  tem um custo tabelado de 80€, o passeio pode ver o seu custo reduzido para 70€ com um bom regateio nas horas de menor afluência. Existem também:

– As Gondolas de travessia (usadas para substituir as pontes que se podem encontrar a alguma distancia do local onde nos encontramos. Tem o custo de 2€ e é o mais próximo que iremos encontrar com o passeio na gondola tradicional. O senão é a curta distancia e a ausência de ornamentos que enriquecem as gondolas tradicionais, bem como a falta de privacidade que encontramos ao partilhar o momento com mais 7 pessoas);
– Os Vaporetos (Tem o custo de 7,50€ por viagem e são os autocarros lá da zona).;
– O Táxi  aquático (São os que praticam preços mais caros em troca de viagens personalizadas em lanchas modernas, no entanto oferecemos uma experiência única,  num passeio a alta velocidade pelos canais desconhecidos da cidade).

A minha chegada a Veneza coincidiu com a Festa del redentore , que acontece no terceiro domingo do mês de julho (onde  milhares de pessoas agradecem todos os anos o fim da peste que assolou o pais na segunda metade dos anos 1500) tendo inicio com um espectáculo de fogo de artificio.dsc02037-e1502793336449.jpg

Chegar ao Hotel com as malas de viagem numa cidade onde as estradas são canais

IMG_7489e os transportes são barcos, pode revelar-se um pesadelo,  quando a ‘auto-estrada’ da cidade se encontra interdita a circulação de barcos. A logística numa cidade assim, faz com que de repente te encontres no ginásio, de onde fugiste o ano inteiro, a fazer os exercícios que mais odeias no sobe e desce das escadas espalhadas pelas 400 pontes existentes ao longo das ilhas. O esforço é compensado, pela beleza espalhada em cada ponte, edifício, ruela ou café.
A oferta hoteleira é imensa e pode ser encontrada a beira de todos os canais por onde passeamos. Vai desde hotéis de 5 estrelas em palacetes vitorianos e gondolas privadas a hosteis de quartos partilhados e casa de banho comuns.
Apesar de ter feito a pesquisa do meu hotel com apenas dois dias de antecedência, as opções sugeridas para a minha escolha restrita ao centro da cidade, variaram entre o Hotel Tivoli, situado na Calle Crossera onde os preços oscilam entre 23€ e 127€ com pequeno almoço incluído e o Palazzeto Madona localizado Fondamenta del forner em que cada uma das suas 4 estrelas tem o valor compreendido entre 150€ a 550€. Por se econtrarem localizados a alguns minutos(15 min) do maior interesse turístico da cidade – Plaza San Marco- tornaram-se a escolha certa para a minha estadia, pois sou o tipo de turista que adoro andar a pé, para que desta forma possa descobrir os detalhes mais insignificantes da cidade e me entregar completamente à aventura.


Caminhar revela-se a melhor forma de conhecer Veneza, pois permite-nos mergulhar por completo no secretismo dos canais, no burburinho das multidões, nas cores dos mercados, no cheiro das pizzarias, no sabor dos gelados e no som dos vendedores.

Há que ter – sempre – em conta a largura reduzida das ruelas, que nos levam aos pontos mais interessantes da cidade, pois são o factor principal para a demora na nossa ansiada chegada a cada monumento. São também a forma ‘forçada’ que nos permite reparar nos mil e um detalhes que espreitam a cada esquina.

Piazza San Marco

Ao chegar a Piazza San Marco é muito fácil perder a noção do tempo ao contemplar o monumento mais procurado de Veneza – A Basílica di San Marco – considerado como um dos edifícios medievais mais grandioso do mundo – com todos os azulejos, entalhes romanescos e pinturas que se distribuem ao longo da fachada, faz com que se torne motivo mais que suficiente para o aumento das expectativas  de quem anseia visitar o interior do edifico.  Nesta mesma praça podemos encontrar a Torre dell’Orologio – também conhecido como o relógio dos mouros – é um relógio astronómico que se encontra sobre o acesso a movimentada rua comercial, a Campanile di San Marco – situada a esquerda da Basílica e de onde podemos ter uma vista panorâmica sobre toda a cidade. IMG_8081Pallazzo Ducale – foi sede de vários gabinetes de estado e tem acesso privilegiado a Ponte Dei Sospiri – passagem usada para a transferência dos prisioneiros para as suas celas após julgamento, o museu arqueológico e ainda o famoso Museo Civico Correr – onde podemos encontrar uma enorme colecção de arte, documentos, livros e objectos antigos e mapas que reflectem a história e a vida quotidiana de Veneza ao longo dos séculos.

IMG_8180A não perder está também o Ca’Pesaro, Ca’Rezzonico, Museo Archeologico Nazionale, Museo Storia Naturale e a Sale Biblioteca Marciana que se encontram todos incluidos, a excepção de a Campanile di San Marco e a Torre Dell’orlogio, no Musem Pass que pode ser comprado na internet por 32€ ou na Bilheteira da Piazza Roma por 28€ que felizmente foi a minha opção pois o remanescente pôde ser usado para subir a Campanile que tem o custo de 8€.
Também é possível subir a Torre Dell’orlogio mas sinceramente não tive qualquer interesse em subir, uma vez que para mim a beleza da torre esta mesmo no relógio astronómico que é visível da praça.
Há que ter em conta que em Veneza os museus fecham todos à Segunda-Feira, o que faz com que tudo seja planeado de forma a que esse dia seja para passear, saborear os mais diversos sabores dos gelados ou simplesmente apreciar a vista do Gran Canal.

 

É a partir da praça que se começam a vislumbrar todas as lojas que nos enchem as medidas, mas esvaiam as carteiras – as arcadas por baixo do Museo Correr dão início à romaria através das ruas mais requisitadas da cidade – a Calle Valleresso e a Calle Larga XXII Marzo  – dão asas à imaginação de quem, como eu, adora tudo o que é moda e bom gosto (e até para a falta dele), desde que a carteira permita, a vontade o queira e não se fique só pela vontade de conhecer as famosas pizzas italianas. Estas podem ser a solução para quem vai de tostões contados, uma vez que comer por estas bandas pode ser a fatia maior do nosso orçamento. A cada Calle podemos encontrar quiosques de pizzas, gelados ou massas, onde o take away é rei e os preços são senhores, afinal de contas uma fatia de pizza pode variar entre 2,20€ e 3,50€ e as escolhas são imensas.

IMG_8177

Para quem como eu é fascinado por esparguete, existe também o conceito ‘Pasta to go‘ que consiste num caixa de cartão com esparguete grosso e uma cobertura de carne à escolha, a um preço muito simpático de 5€. Ao almoço da imenso jeito, por andar sempre a correr de um lado para o outro para conseguir ver tudo que tinha na minha ‘TO DO LIST’ em apenas 4 dias.

À noite, confesso, que o que realmente me apetecia era ir a um bom restaurante, saborear uma boa sangria (sim, sangria). Não gosto de álcool, logo não consigo ter prazer em beber um bom vinho, seja ele qual for, o que fez com que ‘em Roma não consegui-se ser totalmente Romano’ e apesar da sangria ter álcool eu peço sempre para a fazerem bastante doce,( o que faz com que o álcool fique imperceptível)e pedir um bom risotto ou uma bela carbonara, a terminar com um dos deliciosos gelados. Os preços aqui, como é óbvio, disparam, mas só pelo ambiente do restaurante vale a pena e felizmente tinha fantásticos restaurantes nas redondezas do meu hotel.
IMG_8185Pode optar pelo varandim da Trattoria Dona Onesta, pelos sabores gourmet da Osteria Al Vecio Forno ou pelas maravilhosas esplanadas junto ao canal, do Ristorante Al Giardinetto ou da Osteria El GAnso onde os preços variam entre os 10€ e os 30€ por pessoa mais o convert(taxa de reposição – talheres, pratos, guardanapos, etc) que varia entre 1,50€ e 2,50€. O mais caro mesmo são as bebidas de lata que por norma rondam entre os 1,50€ (com muita ‘pesquisa’) e os 3,00€, sendo que os sumos naturais são mais baratos mas apenas se encontram nos quiosques que existem espalhados pelas ruas.

IMG_8176IMG_8183Para os amantes de café há que ser paciente e ir ate ao numero 544 da  Ruga Vecchia S. Giovanni – a caminho da Ponte Rialto – onde com 1,20€ pode deliciar-se com o café mais barato da cidade (já que esta bebida pode chegar aos 4.00€ na maioria dos locais) e os bolos que a Goppion Caffetaria nos oferece e aproveitar a energia da cafeína para fazer as compras das recordações que queremos levar connosco para casa.

IMG_8178
No caminho até à famosa ponte vamos nos deparando com imensas lojinhas cheias de souvenirs, mascaras, leques, vidro de murano, imans e postais com preços para todas as carteiras e o melhor é que todas as carteiras ainda têm direito a regatear os preços.

Da Ponte Rialto consegue ter a vista mais romântica de toda a cidade e se conseguirem ir ao entardecer e ficar para jantar nas margens do canal que passa pela ponte, vão ser deslumbrados com a magia das cores dos restaurantes, reflectidas ao longo das margens,  apenas interrompidas pelas inúmeras Gondolas que por ali passam repletas de casais enamorados.

A escapadinha de 4 dias permitiu conhecer tudo o que vos relatei, e ainda consegui um dia pelas ilhas de Burano, Murano e Torcello, onde os 20€ pagos pelo bilhete do Aqua Bus, nos dá acesso a uma visita guiada pela lagoa de Veneza, e nos permite explorar estas ilhas que representam grande parte da cultura da Cidade.

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s