Cativar…

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

Cativar!

Depois do verbo amar é dos verbos mais plenos que existe na língua Portuguesa. Está repleto de sentimento, entrega, dedicação, magia e detalhes. É das palavras mais afectivas e com mais responsabilidade que podemos incluir no nosso vocabulário, e das mais desconhecidas e sobrevalorizadas do nosso dicionário sentimental.Quando cativamos alguém estamos a assumir – consciente ou inconscientemente – um laço com o outro. Um laço para a vida ou não existissem inúmeras repercussões, maiores ou menores, na sua vida. Entregamos o nosso melhor sem nunca pensar -receber- o pior, porque o pior nunca é opção, o pior simplesmente não se cativa, não se conjuga com a palavra cativar e nem cabe na imensidão da palavra.

Mas existe!

Existe na maldade do ser humano que a usa apenas como um meio para atingir um fim, nas palavras doces e cheias de sentidos duplos mas vazias de qualquer intenção, nos gestos (in)significantes que apenas servem para nos ludibriar e acabar por nos deixar sem chão.

A culpa não é de quem nos induz em erro, não é dos gestos, da falta de consideração e respeito por nós e muito menos é nossa… A culpa é do dicionário barato – precário em palavras – onde cativar facilmente é substituída pela palavra beneficiar e onde todos os sinónimos usados são apenas para criar utopias que se confundem com a entrega da palavra cativar.

O pior existe.

Só não faz parte do vocabulário de quem acredita que cativar é o resumo de tudo o que temos de melhor para dar ao outro. Onde se conjugam todos os detalhes que nos fazem arrepiar a espinal medula como nunca antes sentimos, o entrelaçar dos dedos – que nos dizem tudo o que a falta de coragem e timidez engolem nas palavras – no escuro do cinema, o abraço forte e inesperado – de uma despedida – que nos apanha de surpresa após um pôr de sol de descobertas, o beijo carinhoso na testa quando estas prestes a explodir de indignação pelos outros, quando nos deixamos ir numa viagem sem destino – onde nos entregamos de olhos fechados a aventura – aprendemos a conjugar o verbo cativar com a palavra amar no conjuntivo pois descobrimos que aquilo que iremos ganhar, é certamente bem maior que tudo o que poderemos acabar por perder.

Descobrimos automaticamente que o vocabulário que possuíamos era limitado e que afinal há mais poemas para declamar e estórias a criar. Passamos a vestir-nos de luz e a usar apenas o amor como acessório.

Porque cativar é isso, uma forma desinteressada de amar. O bem querer apesar de tudo. Ter como objectivo – sempre – o bem do outro.

Saber que mesmo que se tente com todas as nossas forças iremos falhar, porque as falhas tornam-nos melhores. E ao falhar crescemos, sabemos e queremos muito mais. Que podemos falhar porque o amor é feito de falhas.

E quando tudo falha o amor prevalece.

E quando o amor prevalece nada mais pode falhar.

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